Vamos casar - e daremos uma festa! Nada grandioso, mas significante o suficiente para nós, é claro, e para as pessoas mais próximas. Entre um detalhe e outro, paira uma nuvem negra a respeito da lista de convidados e, antes de listar nome a nome, pensar e repensar sobre possíveis desafetos é um trabalho e tanto. Resolvi, então, começar pelo lado oposto. Enumerei uma folha de caderno e elegi aqueles a quem não convidaria. O resultado? Surpreendente! Se, antes de montar essa relação, você me perguntasse 'quantos inimigos você tem?', certamente eu diria 'nenhum'! E hoje, apesar das exclusões promovidas pela lista, responderia da mesma forma. Mas é que a memória não falha!
Não sou de remoer o passado e me martirizar por sofrimentos antigos, mas é que quando a gente analisa algumas situações, é inevitável não pensar "que filho da puta o fulano foi." Nesse meio, deve ter alguém que, ao preparar lista semelhante, também se lembre de mim adjetivando meia dúzia de palavrões ao meu sobrenome. No momento em que eu enumerava, eu me lembrava de cada palavra, cada ação, cada julgamento e cada... E me fez mal! Tão mal...
Em meio as nossas lembranças, infelizmente, entre àquela risada do melhor amigo e desfile de 7 de setembro da escola, em que a farra era garantida, um lapso de tristeza aparece causado por um sofrimento banal. Banal porque a maioria poderia ser evitado se as pessoas não fossem tão maldosas. Como eu e você somos as vezes. Um exemplo? Quem nunca foi comparado com um primo ou irmão que atire a primeira pedra! Ou, quem sabe, ouviu sem querer um comentário a seu respeito, recheado de julgamentos que não condizem com a sua postura? Pois é! Tudo isso também compõe a nossa memória.
Dei continuidade a lista. Nome por nome... Ao lado, punha uma palavra resumisse a minha relação com o desafeto. Foi assim. Uma espécie de martírio. Quando terminei, olhei para a lista e resolvi queimas, como naqueles filmes de drama. E foi então que entendi porque os personagens queimam algumas coisas. conforme o fogo se alastrava pela folha, sentia um alívio sem fim. Quanto percebi o perigo, abri a torneira da cozinha e deixei a água correr. Fiquei olhando as cinzas descerem pelo ralo e, junto, tudo de ruim que eu havia resgatado - sem necessidade. Não! Não esqueci os fatos ou as pessoas. Eu apenas percebi que vale mais a pena enumerar o que me faz bem e que remoer o passado pode causar dores ainda mais profundas. Comecei outra lista...
